domingo, 18 de junho de 2017

PAREMOS PARA PENSAR


A última noite foi um pesadelo. Não gosto quando o tempo de antena de vários canais é ocupado com eloquentes explicações sobre os meandros do grande desígnio nacional – o futebol – onde campeia a pusilanimidade de quem manda, associada ao dinheiro descontrolado que suporta o mito aplaudido, quase em uníssono, pelos cidadãos. Nesta noite seria um bálsamo ter havido apenas futebol nos vários canais. Era sinal de que a tragédia não ocorrera!

O cenário de destruição, desde vidas humanas a património, é chocante. Estamos constituídos no dever de respeitar os mortos. Não nos cabe distinguir entre mortos civis e não civis. Todos eles, são Mortos Portugueses! Uns, os civis, não preparados e sem meios adequados para o combate, procuraram segurança. Estavam no sítio errado na hora errada e o fogo roubou-lhes a vida. Homens e Mulheres com preparação específica para lidar com o perigo e a violência, com os bombeiros à frente de todos, estiveram envolvidos nos fogos. Porém, a dimensão da ocorrência levou à intervenção de outras Forças em que o Estado delega a segurança dos cidadãos. A GNR esteve presente nas funções que lhe estavam cometidas, o próprio Exército foi chamado a intervir. Respeitemos e honremos a memória daqueles que partiram, sejam Portugueses fardados ou não, a vida é, para todos eles, uma só!

Escolhi para título: Paremos para pensar. Acho que isso é dever de todos nós, nestes tempos conturbados em que os tribunais abarrotam em casos pouco ou nada dignificantes para as nossas elites. As interligações entre o poder político e o poder financeiro não nos sossegam. Vivem-se tempos estranhos onde nos inculcam a ideia de que havendo milhões de euros tudo se resolve. Assim geram-se negócios, interessantes para alguns, em sectores impensáveis, ainda que prejudiciais à maioria.
Leiam a opinião de quem sabe:
“CORONEL DIZ QUE O FOGO É UM “NEGÓCIO” E QUE O GOVERNO RECUSOU AJUDA DA FORÇA AÉREA
É escandaloso o que os nossos governantes fazem para nos roubar, Lê e partilha o máximo possível antes que seja apagado! Mais de UM MILHÃO E CEM MIL Portugueses já tiveram acesso a esta publicação tendo a mesma originado, o que se saúda, um forte interesse dos Órgãos de Comunicação Social
O que permitiu à AOFA, adicionalmente, 

esclarecer certamente muitas mais 

centenas de milhares de Portugueses, via 

Televisões, Rádios e Jornais nas 

múltiplas entrevistas já dadas.
FOGOS / FORÇA AÉREA
Parece impossível… No final do século passado, enquanto o combate aos incêndios florestais foi uma “Missão”, a Força Aérea Portuguesa operava os meios aéreos em Portugal, mas quando esse combate passou a ser um “Negócio” arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem e….o flagelo continua.
Quais as vantagens? A centralização dos meios aéreos na Força Aérea com custos reduzidos para o erário público, bem como a poupança em termos de manutenção (dado o background existente) e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional.
Parece que, conforme noticiado em 09jun2016, o MAI recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu “interesse” e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país.
Espanha, EUA, Grécia, Croácia, Marrocos, são exemplos de países onde os meios aéreos de combate a incêndios são operados pela Força Aérea local. Parece impossível…
Coronel João Marquito (Vogal do Conselho Nacional da AOFA)”
Somos seres emotivos, propensos a facilmente nos deixarmos envolver em retórica que, secundarizando o essencial, nos “alimenta” no acessório. Emocionados, mas atentos às habilidades da propaganda, aguardemos que um Macron nos liberte da “partidocracia” instalada. Sejamos exigentes para que não nos saia um populista contumaz em vez de um Homem Público.           

terça-feira, 13 de junho de 2017

LOUCO TRUMPISTÃO


Apurado o vencedor das eleições Americanas, a euforia instalou-se entre os seus apoiantes internos e, muitos outros, repartidos pelo Mundo. Surgiu também, em contraponto, um clima generalizado de suspeição pela insanidade das propostas eleitorais que, dividindo as pessoas, auguravam “tempestade”. Mandava o bom senso que não fervêssemos em água fria, pois uma coisa é campanha eleitoral, outra, bem diferente, é o exercício de funções após a tomada de posse. Empossado, em Janeiro, para o cargo mais poderoso do Trumpistão – nada mais nada menos que o Planeta Terra – é legítimo um juízo de valor sobre os méritos e deméritos deste “Chefe”.

Internamente, os insucessos acumulam-se. Ele não entende a diferença entre dirigir uma empresa e um Estado. Deixa-nos a sensação de que o Estado, para ele, apenas serve para promover os negócios familiares. As coisas pioram quando o Estado Americano e a família Trump confundem tudo em negócios com outros Estados. Passados seis meses, sendo Trump Sagitário, depois do depoimento Comey, subscrevo a opinião de uma astróloga: "Vai continuar a ser queimado em lume brando, por culpa própria ou por incompetência, mas não tem motivos para fazer as malas e sair da Casa Branca pelo menos até 2019."

O principal aliado dos EUA na Europa – Reino Unido – viu na vitória de Trump um forte encorajamento ao Brexit. Trump também não hesitou em declarar apoio a Marine Le Pen, dividindo a União Europeia. A sua primeira saída dos EUA fez cair todas as dúvidas que restassem sobre o personagem. Ignorante, desconhece que as lutas religiosas na Europa levaram a que muitos “refugiados” tivessem procurado o Novo Mundo, do séc. XVI ao XIX. Vender armas a sunitas, facção religiosa em litígio armado com os xiitas, diabolizando os segundos, não é de quem procura a Paz. É sim, de quem quer a Guerra. Oportunamente, o PAPA Francisco afrontou-o a propósito do muro mexicano. Falando como cristão, ripostou ao Chefe da Igreja. Terá sobrado pedra no sapato, mas, apesar disso, os EUA pediram que o Pres., fosse recebido pelo Chefe do Estado do Vaticano, o PAPA. O entusiasmo vivido no encontro ficou bem expresso nos rostos onde só Trump sorria com expressão própria de um pivot de notícias na hora de sair do ecrã. A cereja no topo do bolo foi o discurso da NATO. Fez acordar os Europeus para a realidade de estarem sós na resolução dos seus graves problemas de segurança.

Crítico, usando um termo brando dos valores Ocidentais onde o Cristianismo pontifica, não hesitou Trump em mostrar todo o seu apoio à Arábia Saudita, “professando” a facção sunita do Islão. Coincidência ou não, elencarei factos em que as causas sunitas, afrontando aquilo em que acreditamos, foram protegidas pelos EUA, no pós-Trump.

As súbditas do Reino Saudita, estão sujeitas à lei wali al-amr – “guardião masculino” – que vai do pai ao marido, passando por irmão, tio, primo até filho de menor idade. As mulheres insurgem-se contra isto dentro e fora do País. Há mulheres que lutam a partir do estrangeiro. Foi o caso de uma jovem, Dina Ali, que ao pretender o estatuto de refugiada na Austrália, foi detida em Manila pela sua embaixada. A última frase que gravou foi “se voltar à Arábia Saudita morro”, a embaixada apenas disse “uma questão meramente privada”. No Verão de 2016, uma jovem de 29 anos lançou a campanha “Abaixo o sistema do wali al-amr” e arranjou um sarilho com o pai e irmãos, acabando detida em Abril. Em 2013, pressionada pela opinião pública, a Arábia Saudita criminalizou a violência doméstica. Recebeu, em três meses, 1890 queixas. Porém, o homicida de uma cidadã, após quatro dias de detenção, foi libertado, sem julgamento ou qualquer outra punição.

A Arábia Saudita, a 19 de Abril, foi eleita como um dos 45 Estados membros da Comissão da ONU de Direitos das Mulheres. “Foi como se um pirómano tivesse sido nomeado chefe dos bombeiros”, criticou, bem, a organização não governamental UN Watch.

Em Inglaterra o Guardian considerou “absurdo que um país onde as mulheres apenas têm o direito de ser submissas […] possa ser eleito para esta Comissão.” Na Bélgica, votara a favor da entrada da Arábia Saudita para a Comissão, o Governo, pressionado pela opinião pública, emitiu um pedido de desculpas sob a forma de acusação à política americana. Leiam: “Havia 12 candidatos 12 lugares e, neste caso, não deveria ter havido votação mas os EUA precipitaram-na […] numa estratégia deliberada para descredibilizar a ONU”

Aliados destes dispensam-se. Difícil é termos de esperar dois anos para que se concretize a previsão da astróloga. Aguentará o Trumpistão tanto tempo?

terça-feira, 6 de junho de 2017

É UM SUSTO O NOSSO QUOTIDIANO


Nos tempos que correm, quando a moral está morta e enterrada, mercê dos muitos casos protagonizados por eleitos para a AR ou autarquias, ainda nos conseguimos chocar com certas notícias! Tomar conhecimento de decisões da Comissão de Ética da AR, acrescendo-lhe os negócios que, na esfera privada, envolviam Homens Públicos foram, há anos, as primeiras notícias chocantes. Face àquela realidade, eu achei que o País – Portugal, um vetusto Estado-Nação – deveria mudar de nome. Assentava-lhe muito bem: Centro Angariador de Negócios Obscuros, CANO. Há eleitos impunes que, por fraca formação cívica dos eleitores, acabam reeleitos deputados ou autarcas, quando já haviam dado provas de falta de ética. Alguns casos, sobretudo autarcas, acabaram mesmo condenados em Tribunal por práticas criminosas.

No pós-Abril, o debate de ideias fez-se numa comunicação social cuja isenção deixava muito a desejar. Ela abordava pela rama questões essenciais, sempre impregnadas de doses intoleráveis de propaganda, visando caçar votos para uma determinada facção. Jornalismo de investigação, procurando o essencial dos factos, acabava, no mínimo, em amedrontamento. O chamado “contencioso da autonomia” viveu disto. A retórica Madeirense tinha duas vertentes: éramos um bom exemplo para o País, quem não se lembra do sistema de Saúde?; trapalhadas de negócios pouco ou nada transparentes, logo diziam “lá” é pior.      

Ouvi da boca do Prof. Jacinto Nunes, – fiz com ele o exame da minha penúltima cadeira, Economia Portuguesa – a descrição da sua experiência na nacionalização da banca. Foi hilariante ouvi-lo dissertar sobre a insistência na nacionalização da CGD, instituição pública há muito. O Estado Novo era “amigo” muito próximo do Poder Financeiro, mas também partidário do princípio: “amigos, amigos negócios à parte”; controlava as finanças públicas através da “nossa” CGD. Dava prejuízo manter a agência de “Cebolais de Cima”? Pois que desse, a população precisava da agência, e ela lá estava.

O descontrolo e a falta de ética das elites geraram o impensável. A propaganda assente numa forte componente anti-comunista, diabolizou a nacionalização da banca. A Madeira, com créditos firmados na captação das remessas de emigrantes, ainda por cima fixados em zonas sensíveis ao “comunismo” – Venezuela e África do Sul – beneficiou do facto de ter no seu território uma Instituição com características de Banco Privado, a Caixa Económica do Funchal. Com a banca nacionalizada, preocupado com o controlo da despesa pública e com a falta de meios de pagamento sobre o exterior – lembram-se de exportarmos banana de avião? Foi por falta de dólares que “os cubanos” suportaram aqueles preços – o “tecnocrático” Min. das Finanças de Sá Carneiro admitiu a prisão de um Pres. Câmara despesista. 

Os grupos financeiros regressam lentamente a Portugal. O GES retoma actividade em 1986. O Totta em 1989. Em 1996, na sequência de várias negociações surgiu o BCP. O Gov Regional da Madeira, durante dez anos, em manifesto abuso de poder, aproveitou os depósitos em moeda estrangeira feitos na CEF, financiando-se com esse dinheiro. Residia nisso o milagre que se exibia ao País. Falida a CEF, em Janeiro de 1988, com o beneplácito de Cavaco Silva surgiu o BANIF inserido na privatização da banca. Consta que terá custado 3 milhões de contos. Não servimos de exemplo mas, infelizmente, o tempo comprovaria que “lá foi pior”.

Fica-nos a sensação de que neste festim, pós-privatizações, entre eleitos e donos do capital, os eleitos apenas querem de nós os votos e os impostos e os Capitalistas, ditos portugueses, têm por pátria a Goldman Sachs. É uma vergonha vermos as posições de homens como Ricardo Salgado, nas audições na AR, a entrevista de Jardim Gonçalves ao Público, ou a afirmação de Miguel Sousa, Pres. da Assembleia Geral do BANIF, em que disse desconhecer a venda de produtos tóxicos pelo banco. Jardim Gonçalves, nas suas negociatas em Espanha, com o argumento de que a CGD era banco público, impediu um negócio útil à Economia Portuguesa. A CGD, jóia da coroa do sistema financeiro, perdia posição e seria tomada de assalto. Em nome da rentabilidade “Cebolais de Cima” perderia mais tarde o balcão.


Porém, à Madeira cabe o prémio “guiness da asneira”. Qual o grau de credibilidade que pode ter uma Administração Pública, que pactua com um peditório para promover a restituição de uma verba exigida, pelo Tribunal, a três dirigentes da UM’a? Já nada me admira mas acho que não vai ser possível afirmar aos quatro ventos: “lá é pior”.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

VENEZUELA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO


Andamos todos indignados com aquilo que lemos, vemos e ouvimos sobre a Venezuela. A indignação de que falo – ao contrário daquilo que pensarão – não abrange apenas os Madeirenses, nem sequer o grupo mais vasto dos Portugueses. Todos os Homens de bem têm o dever de solidarizar-se com quem sofre, às mãos de tiranos para quem o sofrimento humano não conta, desde que eles detenham o Poder. Enriquecendo, como contrapartida ao empobrecimento da maioria, aqueles que mandam distribuem generosas mordomias aos seus apoiantes que, em situações extremas, degeneram em milícias. É assim com Maduro, e com Eduardo Santos. Eles em nada diferem de Fidel, Trujillo ou Papa Doc, o criador dos tonton macoute. Os “titios do saco” fizeram altas e poderosas, no Haiti, ao serviço de François Duvalier, desde 1957. Tendo ficado sob o comando do filho – Jean Claude -  de 1971 até 1986, os haitianos sentiram, durante quase 30 anos, a blandícia das criaturas. Falo de “rapazes” que estiveram na moda há 50/60 anos, mas que convém recordar. Coevos de Fidel Castro não lograram a sua notoriedade. Ele é, de longe, na opinião pública, o mais referido como o “assassino exterminador” de adversários políticos. Escusam recordar-me, pois conheço alguma coisa das suas tropelias. Não conhecerei tudo, mas conheço o suficiente para dizer: por aqui não, obrigado. Também não esqueço o suficiente de Trujillo ou Papa Doc, para em relação a eles dizer o mesmo, não os branqueando em circunstância alguma.

Em 1946, destruído o totalitarismo nazi, restou o “Mundo Livre” e o Comunismo. Trujillo, Papa Doc e mais alguns – por exemplo Fulgêncio Baptista, Somoza e Ströessner – na América Central e do Sul, para a propaganda Ocidental, apesar de ditadores, eram os “ditadores bons”, em contraponto a Fidel, o ditador “mau”. Não sendo um “menino do coro”, também não era pior que os outros, mas as centrais de propaganda ocidentais não pouparam esforços na diabolização de Fidel, referindo os outros apenas em notícias esconsas para garantia da “liberdade de expressão”.  

Hoje tudo mudou. Ditador, definido como aquele que não respeita leis e manipula a vontade dos cidadãos para lhes roubar o voto, é sempre mau. Na Venezuela, Chávez, tal qual Hitler na Alemanha dos anos 30, foi legitimado pelo voto. O seu “herdeiro” Maduro também já ganhou eleições. Logo, formalmente, temos uma democracia em Venezuela. Porém, conquistado o poder, Maduro não hesitou em lançar o poder coercivo do Estado – Polícias, FA’s a que juntou milícias tipo Tonton Macoute – para impor aos cidadãos o total desrespeito pela Pessoa Humana. Nesta situação, há 50 anos, sendo Maduro de esquerda e amigo de Fidel, os EUA para “libertarem as pessoas das garras do déspota comunista” – ditador “mau” – já teriam agido. No séc. XXI todos os tiranos são maus. Maduro está prestes a lançar o País numa guerra civil, mas a intervenção armada Americana, inevitável em 1950, hoje não ocorre. O perigo é outro.

A Goldman Sachs comprou dívida pública venezuelana, garantindo novo fôlego a Maduro. Aquele dinheiro fresco manterá os fiéis de Maduro bem pagos e, assim pouco propensos à dissidência para assumirem a defesa dos interesses colectivos. A desculpa esfarrapada do banco aos manifestantes venezuelanos que, em território dos EUA, se insurgiram contra aquele negócio, fala por si.

Está em gestação a pior das tiranias, para a qual urge alertar as pessoas. Apoiemos, sacrificando-nos, pois, vai ser necessário, – sem invectivarmos quem é vítima dos poderosos e não contribuiu em nada para a aflição em que está – mas, não dando ouvidos a certa comunicação social que aborda a situação em Venezuela, apenas acirrando contra Maduro que, não sendo flor que cheire, não é o único neste Mundo atribulado a “alimentar-se” do sofrimento Humano.

Esforcemo-nos por abortar a pior das tiranias, que é imporem-nos a  “religião dos mercados”. Este exemplo da Goldman Sachs a fazer negócio com a desgraça da população Venezuelana é igual ao Mr. Trump a vender armas a uma das facções religiosas – sunitas – islâmicas em disputa com os xiitas. A cegueira moral está transformada em pandemia nas elites mundiais.

terça-feira, 30 de maio de 2017

A GUERRA APOQUENTA-NOS

A Europa, com a queda do muro de Berlim e o consequente fim do comunismo, sonhou alcandorar-se à condição de superpotência. Entusiasmada pela supremacia do mercado livre fomentou o desmembramento da ex-Jugoslávia na convicção de que era capaz de sozinha resolver aquele intrincado problema.

O peso da História na solução destas questões é grande. Um Estado fantoche criado por Hilter, abarcando a Croácia e a Bósnia, levou por diante uma política de genocídio contra os sérvios que, sob a liderança de Tito, saíram vencedores e, no pós-guerra, ficaram na “Cortina de Ferro”. Não foi de estranhar os ajustes de contas no fim do comunismo.

A independência da Eslovénia foi rápida e sem problemas de maior se compararmos com aquilo que vinha a caminho. Dois homens, Franjo Tujman e Radovan Karadzic, misturando de forma explosiva os conceitos de etnia e Estado, impuseram nos Balcãs um inferno que em nada serviu as pessoas. Incapazes de resolver o problema, os Europeus – Alemanha, França e Inglaterra –, pediram ajuda à NATO ou seja, aos Americanos.

A verdade que, à época, a propaganda nos contou, está longe de ser verdadeira. Passados anos já podemos fazer fé em depoimentos de não beligerantes que, postados no terreno, nos relatam o sofrimento de Seres Humanos cuja única ambição era viver em PAZ. Mas viram-se privados dela por teimosia dos mandantes. Estamos conversados sobre a Europa e seus erros.

Donald Trump é um homem que, julgo eu, se o submetessem a testes psicológicos prévios, revelaria incapacidade para o exercício do cargo para que os Americanos o elegeram. Personalidades destas caracterizam-se por, assentes numa pequena verdade, sustentarem enormes mentiras. É o caso das despesas europeias para suportar o esforço de defesa. Exigir o aumento das contribuições financeiras não pode significar a destruição do Património Comum que é a NATO. A organização pode conter o revisionismo russo, integrar pacificamente a China ao mesmo tempo que faz frente ao extremismo islâmico e aos nacionalismos.

Há vinte anos nos Balcãs, os poderosos, nada ralados com o sofrimento humano, levaram por diante as suas ambições de poder. A propaganda preparou-nos para a “condenação” Sérvia, na opinião pública. Mr. Trump, um exímio manipulador da comunicação social, nesta sua primeira saída dos EUA, ateou fogo à pradaria com a sua venda de armas à Arábia Saudita. Fiel às suas definições decretou que os Sauditas são Árabes “bons” em contraponto com Iranianos classificados como Árabes “maus”. O energúmeno municiou os “bons” sunitas – Arábia Saudita – na sua guerra religiosa contra os “maus” xiitas – Irão – apesar de, naquele Estado, os moderados terem acabado de chegar ao poder pelo voto popular. Votos, naquela cabeça, só contam aqueles que ele recolheu nos EUA. A legitimidade popular dos outros, em sua opinião, não conta para nada. Aquele voo mediático que ligou Árabes “bons” a Judeus – duas religiões há muito desavindas – faz crer aos incrédulos terráqueos que a PAZ está ali ao virar da esquina.

A Europa resolveu mal a questão dos Balcãs, mas esta Trumpice, pelo caminho que leva, será um desastre Bíblico. Vou esquecer Iraque e Yemen, ater-me-ei à Síria. Um Sírio tem todo o direito em querer pensar o seu País. Franceses, Alemães, Ingleses e Americanos “sabem” muito sobre a Síria. Só que isto já cansa os Sírios. O discurso geopolítico preocupa-se com a estabilidade regional. A isto segue-se a questão cultural centrada no Islão, no terrorismo e nos direitos das minorias. Finalmente entra em cena o discurso dos direitos humanos para quem os Sírios são vítimas de torturas e geram imensos refugiados. A direita ocidental assume como seus o discurso geopolítico e o cultural. Para a esquerda anti-imperialista a prioridade é o combate ao imperialismo e a política internacional.

Assad é um valioso peão na estratégia de domínio do Mundo pelos poderosos. Ele subordina as aspirações do Povo Sírio às mentiras da luta contra Israel. Estando o inefável Trump interessado, como diz, na PAZ, para quando ouvir este Povo sofredor que pensa e tem vontade própria? Os Sírios não acham piada nenhuma que, por acordo de amigos – Trump e Putin –, tenham de suportar Assad.         

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A REALIDADE EM 2017

A 23/05/2015 publiquei, no FN, o texto que abaixo, actualizo e reproduzo:

“Da Ficção à Realidade
Nos Velhos Marinheiros, Jorge Amado criou um personagem, […].
Falo de Vasco Moscoso de Aragão, Comandante de Longo Curso. Educado pelo avô, revelou-se um jovem adulto […] inadaptado. O coração empurra-o para uma prendada jovem que lhe diz querer para marido alguém que tenha um “título”. Neto, sem “título”, de um avô rico, ficou marcado entregou-se à esbórnia e ao sonho. […].
Aos amigos não escapou que algo o apoquentava. Revelou-lhes o segredo. […], não tardaram a conseguir-lhe um título. Num exame viciado, onde não faltaram registos e carimbos, o Brasil ganhava um COMANDANTE DE LONGO CURSO. Não viria, pensavam, mal ao Mundo pois ele nunca poria os pés num tombadilho. Para que nada faltasse a Vasco, […], D. Carlos I outorgou-lhe o Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Comandante, condecorado, passou a exigir tratamento consentâneo ao novo estatuto. […]. O ferrabrás, contrariando as previsões foi chamado a comandar um barco. Jorge Amado, generoso, levou-o a bom porto, […]
Passemos da ficção Brasileira à realidade lusa, onde o cidadão Alberto João Jardim apresenta grandes afinidades com Vasco Moscoso Aragão. Na juventude, talvez influenciado pelo avô, e também por ser o tempo dos sonhos, imaginou e defendeu, um Portugal do Minho a Timor.
[…] Tão fanfarrão quanto Vasco e, com muito menos bom senso que ele, garante que apenas soube do fim da guerra e do 25 de Abril pelo telefone, apesar da Nação inteira haver rejubilado com o fim do impasse político que o País, ao tempo, vivia. O acérrimo defensor do Portugal, uno e valente, do Minho a Timor, num passe de mágica, divide as populações do agora diminuto espaço geográfico entre “CUBANOS” e “POVO SUPERIOR”. Estribado no voto popular ofende gravemente as FA´s; no seu órgão de propaganda, o JM, permite que gente da sua confiança afirme que as remunerações no Exército discriminam os madeirenses; numa acção de propaganda, o então Conselheiro de Estado, inaugurou a estátua ao Combatente Madeirense – uma sibilina redacção disfarçava, sem eliminar, a dicotomia “Cubanos” “Povo Superior” – em puro acto de promoção pessoal. Alertei, publicamente, para o facto na altura e, convidado para o acto inaugural, recusei lá ir. Estive, mais tarde, presente em cerimónias militares onde, os ex-combatentes como eu e militares no activo, prestaram as honras devidas aos que tombaram.
[…] A realidade lusa, porém, ultrapassa a ficção. O barco que o nosso fanfarrão comandante dirigiu durante anos […] não chegou a bom porto. A tripulação amotinou-se e correu o comandante quando ele acabara de espatifar o barco na restinga.
Já fora de funções, a Instituição Militar […] atribui-lhe a medalha do Patrono do Exército D. Afonso Henriques – 1ª Classe. Porquê tal distinção? Ela ficará bem entregue a quem, como ele, ofendeu as FA’s e se serviu dos combatentes da sua geração para autopromover-se? Merece-a quem, insultuosamente, recorreu ao vocábulo patriota para denegrir quem nada devia à Pátria quando em simultâneo instigava ao separatismo?
Caso ninguém assuma aquilo que parece ser um tremendo equívoco, como Cidadão Português nascido na Madeira, combatente em África, pergunto: onde coloco a minha emoção quando oiço o toque a mortos junto ao monumento da Mata da Nazaré – hoje colocado em frente do quartel, como eu preconizara na altura – em cerimónia que pretenda recordá-los? Qual a dignidade que devo atribuir ao acto? Será algo de putativo? Onde fica a memória colectiva, quando a 9 de Abril, recuando a 1918, homenageamos os Portugueses mortos em combate na batalha de LA LYS? Servirão os mortos apenas de motivo para umas “sessões solenes” promocionais de um candidato A PAI DA PÁTRIA?”
Dois anos depois, digo eu:
Quem, em 2015, imaginaria que a nossa realidade iria ultrapassar, ainda mais, a ficção do romancista brasileiro e, ficar estupefacto com aquilo que vê, lê e ouve.
Há pouco, o Dr. Alberto João disse que a mãe se recusou a viajar no túnel para o Porto Cruz. A Sr.ª “queria ver a paisagem”. Devia tê-la ouvido! Teria melhorado as estradas, sem destruir as vistas, e, nessa paz ambiental, trabalhariam madeirenses e passeariam turistas. Assim, só serviu para enriquecer o lobby da construção e levá-lo a mentir para nos convencer que túneis e vias rápidas levarão ao regresso das populações aos concelhos rurais.
Nem quero imaginar a reacção do avô se soubesse que, o sistema de assistência que criara para matar a fome provocada pela 2ª guerra e pela instabilidade social portuguesa, fora reactivado graças à acção irresponsável do neto que, em tempo de Paz e abundância de bens alimentares, criara desemprego e fome. Merecer-lhe-ia um valente puxão de orelhas!
Nem mãe nem avô poderão rever-se num descendente, hoje também avô, que continua adolescente sem querer responsabilizar-se por nada daquilo que fa(e)z.         

domingo, 21 de maio de 2017

JÁ LÁ VÃO DOIS ANOS


Não parece, mas é verdade. Hoje ocorre o segundo aniversário da morte do Acácio Pestana.

Cumpridos os “serviços mínimos” no funeral, a Direcção do CSM nunca mais recordou aquele que foi um jornalista desportivo em part-time, respeitado pelos amantes da bola, adeptos ou não, e do seu CSM. Admito que algo me possa ter escapado, e, se for o caso, desde já as minhas desculpas.

Foi bonito de se ver na RTP-M a comemoração dos 40 anos da subida do CSM à 1ª Divisão. A imagem e as palavras, precisas e concisas, do Sr. Adelino Rodrigues revelaram aquilo que fora o clube dos anos 40/50, onde a sua formação humanista, adquirida no Seminário, marcou o seu trabalho como dirigente. O Acácio Pestana – vimo-lo e ouvimo-lo na RTP-M na comemoração – tinha pelo Sr. Adelino Rodrigues uma profunda admiração, a formação humanista era-lhes comum. Não sabíamos na altura, mas hoje sabemos que, com esta subida, se encerrava a prevalência dos valores humanistas nas práticas desportivas.

Nestes 40 anos tivemos um primeiro período, até 1997, em que o dinheiro se tornou inesgotável para os clubes, com particular destaque para os três do Funchal. O GR, relativamente ao qual não há memória de ter faltado dinheiro para actividades lúdicas, suportou os custos da transformação dos clubes, de Instituições de Utilidade Pública que proporcionavam a prática desportiva aos jovens, em entidades promotoras de espectáculos desportivos.

Consciente de que era necessário reduzir a despesa com o futebol, a máquina de propaganda governamental não perdeu tempo e avançou com a ideia do Clube Único. Ideia financeiramente correcta mas inaceitável para os adeptos. A intoxicação feita pela máquina da propaganda governamental não surtiu o efeito desejado. Os sócios e adeptos dos clubes não aceitavam a ideia. Os do CSM foram os mais inconformados. O dia 25 de Maio de 1997 foi um dia fatídico. Admitiu-se que uma cabala montada no interior do CSM pretendia afastar o Dr. Alberto João da liderança do GR. Tudo porque ocorreu uma vaia nos Barreiros. Era normal, na comunicação social da época, quem compunha os quadros da bem remunerada máquina de propaganda ao serviço do poder, esquecer as opções clubísticas em troca do prato de lentilhas. O Acácio Pestana não transigiu, colocou as suas convicções à frente das mordomias. A prepotência não se fez esperar.

Na sequência do 25 de Maio iniciam-se os jantares dos sócios e adeptos do CSM liderados pelo Acácio. Acompanhei-o em muitos dos jantares mensais onde pontificava a frase: UNO, INDIVISÍVEL e INFUNDÍVEL. Recordo o jantar – seria da reconciliação – em que esteve presente o Dr. Alberto João, bem como daquilo que ouvi ao Acácio sobre os alertas que recebera vindos do PSD-M e da AFM para que não houvesse incidentes. Vi e ouvi também as recusas que o Acácio recebeu de gente que, desde a primeira hora, o acompanhara para se sentarem na mesa de honra ao lado do sócio 1.609.

Morto e enterrado, clubisticamente falando, o ideal humanista de Adelino Rodrigues e Acácio Pestana, tal como em 1977, nova realidade desabrocha. Um sistema financeiro desregulado permite criar a imagem de que tudo está bem neste negócio de milhões – Promoção de Espectáculos Futebolísticos – esquecendo a formação nos moldes Humanos da mente sã em corpo são. Espero, para bem de todos nós, que o CSM de Adelino Rodrigues e Acácio Pestana acabe por vencer.