sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

VI E LI


Vi, na TV, uma peça onde o Sr. Dr. Ricardo Alves falou da sua profissão e das condições em que a exercia no SRS. O médico teve dificuldade em conter a emoção ao falar dos doentes inseridos no terrível quadro que descreveu. Seguiram-se-lhe as habituais frases propagandísticas a conterem os estragos que dali poderiam advir para a opinião pública. Li, dia 24 no DN, um depoimento do Sr. Dr. Saturnino Silva que, tal qual Ricardo Alves, não traça um quadro nada simpático da psiquiatria que temos a uma semana da saída do seu director, Ricardo Alves.  

Da Caixa Sindical de Previdência e Abono de Família do Distrito do Funchal criou-se o SRS, Joia da Coroa da Autonomia. Apontado ao País como exemplo. Teve adesão plena da classe médica e dos utentes que recebiam uma compensação, nada despicienda, no caso das consultas fora do serviço público. Poderei ter alguma falha de pormenor – vou escrever de memória, corro o risco de errar. Não sou psiquiatra mas sou um cidadão interessado naquilo que se passa na sociedade em que me insiro. No tempo da “Caixa” a psiquiatria estava entregue aos Srs. Drs. Élvio Pereira, Nóbrega Fernandes e Saturnino Silva. O depoimento do Sr. Dr. Saturnino tem de ser lido – e projectado para o futuro – na perspectiva de quem acompanhou todo este processo desde a “Caixa” até esta demissão.

Nas palavras do Dr. Saturnino lemos que se criaram necessidades para as quais não havia resposta, fala-nos também de conflitos entre os médicos e a gestão, nos casos dos pagamentos das urgências. A quem está por fora, fica a sensação de que a adesão inicial da classe médica ao SRS, em todas as especialidades, desapareceu. As remunerações, interligando-as à deontologia, geram um cocktail explosivo a que ninguém escapa.

Atinge todos os cidadãos e, por isso, devia preocupar os partidos. O PPD/PSD mais que os outros, pois é governo desde 1976. A ALM cumpriria a sua função se, todos os deputados em uníssono, ouvissem/vissem a gravação do anterior Pres. do GR a reconhecer a dívida que o levara a assinar o PAEF. O bom senso, não o senso comum, aconselha o abandono da propaganda, já tivemos que chegue, e a não brincarem ao “hospital novo”, feito queijo em ratoeira de caça ao voto.
Assim, como estamos, com a população em estado de alarme social, os partidos, pelo seu descrédito, abrem portas a um populista – tipo Hitler na Rep. de Weimar – pronto a aproveitar a onda do descontentamento e a reeditar a noite das facas longas.

O Sr. Dr. Alberto João já se insurgiu contra o(s) cobardola(s) que, escondido(s) num blog, vê defeitos em todos excepto no actual Sec. da Saúde. Não chega aquilo que fez o ex-Pres. ele tem de denunciá-lo(s) para que lhes fechem o blog. 

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