VI E LI
Vi, na TV, uma peça onde o Sr. Dr.
Ricardo Alves falou da sua profissão e das condições em que a exercia no SRS. O
médico teve dificuldade em conter a emoção ao falar dos doentes inseridos no terrível
quadro que descreveu. Seguiram-se-lhe as habituais frases propagandísticas a
conterem os estragos que dali poderiam advir para a opinião pública. Li, dia 24
no DN, um depoimento do Sr. Dr. Saturnino Silva que, tal qual Ricardo Alves,
não traça um quadro nada simpático da psiquiatria que temos a uma semana da
saída do seu director, Ricardo Alves.
Da Caixa Sindical de Previdência e
Abono de Família do Distrito do Funchal criou-se o SRS, Joia da Coroa da
Autonomia. Apontado ao País como exemplo. Teve adesão plena da classe médica e dos
utentes que recebiam uma compensação, nada despicienda, no caso das consultas fora
do serviço público. Poderei ter alguma falha de pormenor – vou escrever de
memória, corro o risco de errar. Não sou psiquiatra mas sou um cidadão
interessado naquilo que se passa na sociedade em que me insiro. No tempo da
“Caixa” a psiquiatria estava entregue aos Srs. Drs. Élvio Pereira, Nóbrega
Fernandes e Saturnino Silva. O depoimento do Sr. Dr. Saturnino tem de ser lido
– e projectado para o futuro – na perspectiva de quem acompanhou todo este
processo desde a “Caixa” até esta demissão.
Nas palavras do Dr. Saturnino lemos
que se criaram necessidades para as quais não havia resposta, fala-nos também
de conflitos entre os médicos e a gestão, nos casos dos pagamentos das
urgências. A quem está por fora, fica a sensação de que a adesão inicial da
classe médica ao SRS, em todas as especialidades, desapareceu. As remunerações,
interligando-as à deontologia, geram um cocktail explosivo a que ninguém escapa.
Atinge todos os cidadãos e, por isso,
devia preocupar os partidos. O PPD/PSD mais que os outros, pois é governo desde
1976. A ALM cumpriria a sua função se, todos os deputados em uníssono,
ouvissem/vissem a gravação do anterior Pres. do GR a reconhecer a dívida que o
levara a assinar o PAEF. O bom senso, não o senso comum, aconselha o abandono
da propaganda, já tivemos que chegue, e a não brincarem ao “hospital novo”,
feito queijo em ratoeira de caça ao voto.
Assim, como estamos, com a população
em estado de alarme social, os partidos, pelo seu descrédito, abrem portas a um
populista – tipo Hitler na Rep. de Weimar – pronto a aproveitar a onda do
descontentamento e a reeditar a noite das facas longas.
O Sr. Dr. Alberto João já se insurgiu contra o(s)
cobardola(s) que, escondido(s) num blog, vê defeitos em todos excepto no actual
Sec. da Saúde. Não chega aquilo que fez o ex-Pres. ele tem de denunciá-lo(s)
para que lhes fechem o blog.
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