domingo, 9 de abril de 2017

CONSEGUIREMOS?


Em dois mil anos de história, só nos últimos seiscentos podemos falar de um Mundo Eurocêntrico. Nos primeiros mil e quatrocentos anos, os Europeus – bárbaros para a civilização Romana – foram adoptando muito daquilo que vinha de Roma. A Língua e a Religião marcaram de modo indelével a Europa e o Mundo. Recorreu-se à violência, motivando-se os guerreiros na obediência cega ao Poder da Fidalguia que recebia, como emanação divina, o Poder através de Bula Papal. A Magna Carta, em 1215, limitando o Poder, instituiu a Liberdade. A Nobreza era uma classe social castrense a quem o soberano reconhecia certas prerrogativas que podiam ser transmitidas por herança. Nos sécs. XIV e XV, com a guerra dos cem anos, os feudos da Idade Média perderam posição reforçando o Poder do Monarca. A França foi quem mais beneficiou, graças à humilde pastora Joana d`Arc, Santa da Igreja e heroína de França. Unindo os Franceses, criou as bases do futuro Estado Francês.

A Europa dos secs. XV e XVI, politicamente organizada à volta da Nobreza, divide-se, pela primeira vez, em Norte e Sul. Os Impérios Espanhol e Português deslumbram. Andavam os “sulistas” – não propriamente a beber uns copos e entretidos com mulheres – na luta com as ondas do mar e Martinho Lutero lá pelo Norte da Alemanha, põe em causa o Poder da Igreja de Roma. O abalo foi grande. Em 1525, dançavam os sulistas nas ondas do Atlântico e a Aristocracia Alemã – a Fidalguia já perdera importância – esmagava os camponeses causando centenas de milhares de mortos.

Dado que os territórios se transmitiam por herança, os poderosos Habsburgos – Carlos I de Espanha – possuíam territórios na Holanda e na Alemanha. Colocando o seu poder bélico ao serviço do Papa Leão X a acção não foi bem recebida pelos prosélitos de Lutero. Andámos nisto durante os sécs. XVI e XVII. Em França, o Bourbon Luís XIV, o Rei Sol, falecido em 1715, foi o último a gerir as sucessões das Coroas Europeias. Em Utreque, Filipe V é reconhecido como Rei de Espanha, mas Gibraltar passa para mãos inglesas.

No séc. XVIII, um furação com epicentro em França, abateu-se sobre a Aristocracia Europeia. Fez-se sentir na Independência das treze Colónias Inglesas na América, criando um conflito que opôs a Inglaterra à França, Espanha e Países Baixos. Seguiu-se a Revolução Francesa que, em solo Europeu, vibrava um novo golpe na Aristocracia. Napoleão emerge em França, assustando a Europa Aristocrática com o seu: “Amor pela Pátria é a primeira qualidade do homem civilizado”. O combatente passou a “povo fardado”.

No séc. XIX, a violência continuou. A revolução de 1848 nos Estados Alemães, visava criar uma estrutura de Estado-Nação. A esta revolução seguiu-se Bismarck, com o seu nacionalismo assente na aristocracia e na força e o 1º Min. da Prússia, tornou-se Chanceler do Império Alemão.  A guerra da secessão americana, a implantação colonial em África e Ásia são outras formas de violência no séc. XIX.

Impondo a todo o Continente Americano o slogan: América para os Americanos; o Império nascente, maioritariamente White Anglo Saxonic People, remeteu Espanha para a Europa. Chegávamos ao séc. XX.

Cansados de sécs. de guerras, face à destruição apocalíptica da Europa em 1945 e com a força de Homens que procuravam unir e não dividir os seus Povos, a Europa, acabada de sair de mais uma guerra, começou por unir-se economicamente num grupo de seis.

Lá estavam as desavindas França e Alemanha, juntas por uma boa causa: A PAZ. As duas aceitavam um valor vindo do séc. XIII inglês: A Liberdade. Seria a reconciliação definitiva? Assim pareceu, durante 60 anos.

Inglaterra, por razões ligadas ao Império – a Comunidade Britânica e a grande proximidade ao Império Americano, durante muito tempo com predominância demográfica WASP – só em 1973 entrou para a UE. Passados 44 anos os Reinos da Inglaterra e Gales assumiram, em referendo, a saída; a Escócia não parece convencida e a Irlanda, por enquanto, nada disse.

Um contágio virulento, vindo dos EUA, parece ter penetrado o subconsciente de muitos Europeus, particularmente os habitantes das Ilhas Britânicas. Há gente empenhada em rapidamente deitar ao lixo a História e os valores Europeus, que passaram para o Império Americano. Não admira que Mr. Trump, para amesquinhar a França, devolva a Estátua da Liberdade, doação Francesa em 1886. Difícil para Trump vai ser devolver o pensamento de Tocqueville e o respeito pela Pessoa Humana intrínseco, à Igreja e à Europa. A França e Alemanha são neste momento guardiões dos Valores Europeus. As Ilhas Britânicas, acompanhando Trump e a sua retórica imbecil, exacerbaram os velhos fantasmas que, em seiscentos anos, dividiram os Europeus.

Temos pela frente tempos difíceis, mas não podemos desanimar. Há violência nas cidades Europeias, mas isso não nos pode impedir de lutar pela Liberdade e pelo respeito da Pessoa Humana. 

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