QUE FUTURO TEREMOS?
Tendes, logo abaixo, parte substancial de um texto da autoria de
Roberto Loja, publicado no DN local no dia 19 p. p.
“Para bem e para mal, o modelo de desenvolvimento turístico
implementado na Madeira traz turismo em grupos (leia-se autocarros), e traz
sazonalidade. Até que este paradigma seja mudado, convém que os administradores
percebam várias coisas.
Que os turistas compram. […] e que às vezes os que compram nos
surpreende.
Que o turismo mantém o pequeno comércio a funcionar. E isto é
principalmente verdade nos meios menos urbanos. E sendo verdade, faz-me muita
confusão a incapacidade dos administradores perceberem que é preciso que haja
onde parar carros e autocarros. Nem que seja um espaço de carga e descarga,
desde que seja possível “esconder” um veículo de 12 metros […].
Que o turismo procura conforto e segurança. Isto é, o lugar a
visitar até pode nem estar junto ao local de paragem do autocarro, mas tem de
ser um percurso relativamente curto, e tem de ser exequível, e seguro –
principalmente em termos de trânsito. […]
Nas últimas semanas tenho assistido a dias de caos, em locais como
Arieiro, Ribeiro Frio, Cabo Girão, Porto Moniz, na zona hoteleira do Funchal e
no aeroporto. Em Santana, as novas regras parecem apontar para a vontade de
deixar de ter autocarros na área da camara municipal. No Arieiro, a rotunda
junto à base parece um parque de estacionamento – e quem lá para são sempre os
mesmos. O Ribeiro Frio é um desastre à espera de acontecer, muito por culpa do
estacionamento desordenado por falta de alternativas. No Porto Moniz, as docas
de cargas e descargas parecem estacionamentos. No Cabo Girão, idem. Na zona
hoteleira, há sistematicamente ligeiros estacionados em docas de autocarros,
bem como na rotunda entre o Melia e o Porto Mare. A doca junto ao Monumental
Lido é estacionamento a qualquer hora...”
Ficou aqui o retrato do quotidiano atribulado dos transportes de
turismo. Aqueles larguíssimos metros cúbicos de construção na Avenida do
Infante, destinados a manter o progresso da RAM, vão juntar mais autocarros
àqueles que já temos. Alegrai-vos corações, pois o lobby do cimento, que acha importante
o novo Savoy pelo emprego que criou, já está a fazer planos para “obrar” nos
estacionamentos necessários por toda a ilha face ao acréscimo de turistas.
Impávidos e serenos os madeirenses discutem a descida do CDN e a subida do CSM ao
estatuto Europeu. A destruição do futuro desta terra, iniciado em 1978, nem
sequer agora, com a desgraça bem à frente dos olhos, os incomoda.
A ocupação do território foi pervertida com dinheiro abundante e
fácil. Salários principescos retiraram à agricultura – ela garantia, com a
inteligente ocupação do território visando a sobrevivência da população, a
manutenção de uma bela paisagem – mão-de-obra. A propaganda escondeu a desgraça
com mais facilidade com que, hoje, esconde um autocarro. As inaugurações,
baseadas nesta estratégia, sucederam-se e o circo eleitoral até teve direito a elefante com cornaca empoleirado e tudo.
Mas vão continuar nessa senda. O próximo sacrifício ao progresso
será o Rib. Frio.
Um décimo da população já saiu do Norte, mas o êxodo vai continuar
por muito que vendam a treta de que, acabadas as estradas inacabadas pela
falência, as populações voltarão.
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