sábado, 24 de junho de 2017

QUE FUTURO TEREMOS?

Tendes, logo abaixo, parte substancial de um texto da autoria de Roberto Loja, publicado no DN local no dia 19 p. p.  

“Para bem e para mal, o modelo de desenvolvimento turístico implementado na Madeira traz turismo em grupos (leia-se autocarros), e traz sazonalidade. Até que este paradigma seja mudado, convém que os administradores percebam várias coisas.
Que os turistas compram. […] e que às vezes os que compram nos surpreende.
Que o turismo mantém o pequeno comércio a funcionar. E isto é principalmente verdade nos meios menos urbanos. E sendo verdade, faz-me muita confusão a incapacidade dos administradores perceberem que é preciso que haja onde parar carros e autocarros. Nem que seja um espaço de carga e descarga, desde que seja possível “esconder” um veículo de 12 metros […].
Que o turismo procura conforto e segurança. Isto é, o lugar a visitar até pode nem estar junto ao local de paragem do autocarro, mas tem de ser um percurso relativamente curto, e tem de ser exequível, e seguro – principalmente em termos de trânsito. […]
Nas últimas semanas tenho assistido a dias de caos, em locais como Arieiro, Ribeiro Frio, Cabo Girão, Porto Moniz, na zona hoteleira do Funchal e no aeroporto. Em Santana, as novas regras parecem apontar para a vontade de deixar de ter autocarros na área da camara municipal. No Arieiro, a rotunda junto à base parece um parque de estacionamento – e quem lá para são sempre os mesmos. O Ribeiro Frio é um desastre à espera de acontecer, muito por culpa do estacionamento desordenado por falta de alternativas. No Porto Moniz, as docas de cargas e descargas parecem estacionamentos. No Cabo Girão, idem. Na zona hoteleira, há sistematicamente ligeiros estacionados em docas de autocarros, bem como na rotunda entre o Melia e o Porto Mare. A doca junto ao Monumental Lido é estacionamento a qualquer hora...”

Ficou aqui o retrato do quotidiano atribulado dos transportes de turismo. Aqueles larguíssimos metros cúbicos de construção na Avenida do Infante, destinados a manter o progresso da RAM, vão juntar mais autocarros àqueles que já temos. Alegrai-vos corações, pois o lobby do cimento, que acha importante o novo Savoy pelo emprego que criou, já está a fazer planos para “obrar” nos estacionamentos necessários por toda a ilha face ao acréscimo de turistas. Impávidos e serenos os madeirenses discutem a descida do CDN e a subida do CSM ao estatuto Europeu. A destruição do futuro desta terra, iniciado em 1978, nem sequer agora, com a desgraça bem à frente dos olhos, os incomoda.

A ocupação do território foi pervertida com dinheiro abundante e fácil. Salários principescos retiraram à agricultura – ela garantia, com a inteligente ocupação do território visando a sobrevivência da população, a manutenção de uma bela paisagem – mão-de-obra. A propaganda escondeu a desgraça com mais facilidade com que, hoje, esconde um autocarro. As inaugurações, baseadas nesta estratégia, sucederam-se e o circo eleitoral até teve direito a elefante com cornaca empoleirado e tudo.

Mas vão continuar nessa senda. O próximo sacrifício ao progresso será o Rib. Frio.


Um décimo da população já saiu do Norte, mas o êxodo vai continuar por muito que vendam a treta de que, acabadas as estradas inacabadas pela falência, as populações voltarão.  

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