quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

TIRANIA NÃO, OBRIGADO


Diz-se que o Mundo só avança tendo à frente um capataz. Porém, os critérios pelos quais avaliamos os capatazes são determinados pelos filtros que os mitos instalados em nossa cabeça nos impõem. 
A Libertação do Continente Americano uniu EUA e Cuba entre 1895 e 1898, na luta contra Espanha. Em 1924 o Pres. Gerardo Machado assumiu o poder. Quis uma Constituição à sua medida e, forçando-a, foi reeleito em 1929 e destituído em 1933. A Revolução dos sargentos, em Setembro, apoiada pelos EUA, fez emergir Fulgêncio Baptista, que, saneando oficiais, rapidamente chegou a General. Homem forte do regime, pactuou com vários Presidentes até que, em 1940, fez parte do Governo. Entre 1940/44, enquanto Baptista enriquecia, Cuba apoiou os Aliados e aprovou uma Constituição “progressista”. Em 1944, Baptista, parte para a Florida. Regressa a Cuba em 1948, com o estatuto de Senador e potencial candidato às eleições de 1952. Prevendo a derrota, socorreu-se do golpe militar. A Constituição foi mandada às malvas. Cuba transformou-se no lupanar do vizinho rico, tendo a corrupção e os negócios mafiosos tomado conta da Ilha. Foi ajudado financeira e militarmente pelos EUA e matou milhares de opositores. Hoje, na opinião pública, este é o tirano bom. Havia mais uns quantos iguaizinhos a ele por aquelas paragens nos anos 40/50. Ao ditador bom, Baptista, seguiu-se o mau. Fidel, O Comunista. 
As condições de vida e de trabalho na zona, resumo-as num depoimento elucidativo, mas desfasado 30 anos da queda de Baptista. Um diplomata Português que, a convite de um fazendeiro visitou uma propriedade, na Venezuela dos anos 80, escreveu: “ Aí por volta do meio-dia… depois de estar suficientemente bebido…[o proprietário] resolveu ir buscar uma metralhadora e começou a disparar contra os homens que trabalhavam sobre um calor insuportável. Não queria acreditar no que via e pensei o que seria daquela gente se…um Fidel Venezuelano tomasse o poder”. Vou falar-vos de “escravos” e se o depoimento diz muito sobre as condições propícias para a “doutrinação comunista”, também é o retrato das condições de vida, sob os ditadores amigos do Tio Sam. 
O mito do comunismo serviu às mil maravilhas para fazer acreditar aos “escravos” de Baptista – o ditador bom – que valia a pena sofrer e lutar. Mortes, perseguições e medo foram as armas de Fidel – o ditador mau – rumo aos amanhãs do sol brilhante. A primeira geração, transida de medo, abdicou de ter voz. O Poder punia. A geração seguinte, à conta do Internacionalismo Proletário, combateu em Angola a mando da URSS. Os filhos, embalados no mito propalado por pais e avós, já eram o Homem Novo, eles não conheciam a exploração do homem pelo homem, o mercado nem a Liberdade. Na escola, “eu” não usavam. Diziam “nós”, ou camaradas. Há três gerações neste percurso, a dos sacrifícios, a da utopia e a do desmantelamento. A actual juventude cubana já não acredita no Robin Hood que rouba aos ricos para dar aos pobres. O mito ruiu. Os Cubanos renderam-se ao mercado, ao consumo e ao dinheiro. 
O Internacionalismo Proletário, preocupação do Ocidente em geral e, dos EUA em particular, ao ser aceite por Fidel, acarretou o embargo económico à ilha. Terminava assim uma amizade de anos, com custos para os Cubanos. Findo o comunismo, a reconciliação parecia lógica. Eis que surge o arrogante e ignorante Mr Trump que, rendido às qualidades dos herdeiros do comunismo, junta-se-lhes. Faz o percurso de Fidel, 57 anos depois. Espantemo-nos! Winston Churchill disse: Os americanos estão sempre tentando fazer a coisa certa, após terem tentado todas as outras alternativas.” Esperemos que o Mr Trump seja uma alternativa pois coisa certa não é. A política, assente em valores, que levou Churchill a dizer: “Se Hitler invadisse o inferno, eu faria pelo menos uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Deputados”, hoje não podemos contar com ela. Os dirigentes estão voltados para si próprios e, para os seus interesses pessoais ou de pequeno grupo. Trump e Putin são o exemplo acabado disso. Move-os os negócios e os “mercados”, aos quais tudo sacrificam. O Ser Humano, para eles, nada vale. Preparam-se para instalar uma Tirania onde vigorará o Estado Social à moda comunista. Trabalhem, não reivindiquem, pois, se não o fizerem, serão lançados no desemprego.  
Homens, ricos, pobres, brancos, negros, amarelos ou mesmo roxos – é essa a cor do sofrimento de todos nós, quando a fome e o medo nos tocam – apenas têm, como Dirigente que a todos acolhe, o PAPA FRANCISCO. Os outros, unidos pelo dinheiro, limitam-se a criar mitos na Comunicação Social, de acordo com os seus interesses, para nos fazerem adeptos das suas causas. 


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